domingo, 4 de janeiro de 2009

A Primeira Obra Ocidental

ILÍADA
(ΙΛΙΑΔΟΣ)


Completavam-se exatamente dez anos da guerra dos povos aqueus unidos contra os troianos quando Briseis, sobrinha do rei de Tróia, fora capturada pelos inimigos.

Os sábios que vieram do leste sempre diziam, em suas tradições, que o amor e a guerra jamais podem permanecer do mesmo lado, pois o coração guerreiro se torna a mais imprevisível das armas, quando apaixonado.

A própria guerra com Tróia era prova disso.

Mas o legendário guerreiro mirmidão Aquiles pouco pensou quando seus olhos tocaram a jovem Briseis pela primeira vez, de forma que, ao serem divididos os espólios da vitória, a bela troiana cativa tornou-se propriedade do guerreiro.

Ao impávido comandante Agamenon de Micenas coube outra bela e jovem troiana, de nome Criseida.

Entretanto, o flagelo aqueu começou quando o pai de Criseida, um sacerdote troiano de nome Crises, invocou o deus Apolo e rogou a este que castigasse aqueles que seqüestraram sua filha com a peste até que esta fosse devolvida.

Em vista do castigo de Apolo, Agamenon devolveu imediatamente a jovem ao seu pai, porém ordenou que Briseis fosse retirada de Aquiles e colocada no lugar de Criseida, como escrava do comandante micênico.

Injuriado, Aquiles retirou-se da guerra levando consigo seu amigo Pátroclo.

O exército aqueu se desesperou com a saída do grande Aquiles e os troianos, vendo nisso uma esperança de vitória, reiniciaram os ataques.

A maioria dos soldados do exército aqueu se revoltou contra Agamenon, exigindo imediatamente que este se desculpasse com Aquiles e devolvesse a ela sua amada Briseis, algo que o comandante negava-se terminantemente.

O astuto Ulisses, vendo o princípio do motim, desacreditou o líder dos soldados revoltos, Tersites, e relembrou a todos de que há muito tempo atrás o profeta Calcas vira que a cidade de Tróia tombaria no décimo ano da guerra e que depois disso os aqueus se uniriam formando a maior civilização do mundo que conheciam.

Assim sendo, os aqueus voltaram a atacar os troianos e o combate reiniciou.

Durante a batalha Paris, o jovem príncipe troiano que fora o estopim de toda a guerra seqüestrando a rainha Helena de Esparta, vê o rei Menelau, esposo desta, e decide desafiá-lo para um combate: aquele que sobrevivesse seria o vencedor da guerra.


O combate foi feroz, mas o hábil Menelau vencera facilmente o embate.

No entanto, desrespeitando o acordo que ambos haviam feito, a deusa Afrodite interfere na luta, impedindo que Menelau mate Paris.

Os troianos se negam a entregar Helena e, ainda por cima, o arquiteto troiano Pândaro – sob controle de Atena – dispara uma flecha contra Menelau. Assim recomeçando a guerra com ainda mais violência e selvageria.


Furioso com o ataque a Menelau e sob o poder de Atena, o rei Diomedes de Argos lança-se titanicamente na batalha, onde chega até mesmo a ferir os deus Ares e Afrodite.

Mas apesar de todos os esforços de bravos guerreiros como Diomedes e de

s

eus deuses protetores os troianos ainda avançam cada vez mais rápido, obrigando os aqueus a recuarem em direção ao litoral.

Mesmo com a aparente vantagem dos troianos, o rei Heitor decide voltar a Tróia

para se despedir de sua família, pois ele pressente uma derrota.


Quando Heitor volta ao campo de batalha e desafia Ájax, Apolo e Atena fazem um acordo de não-intervenção. Mas a luta é interrompida com o anoitecer.


Enquanto aqueus aproveitam a madrugada para construir uma fortaleza, troianos levantam seus acampamentos para se aproximar do inimigo e os servos de ambos recolhem os cadáveres dos mortos, Zeus abre os céus com raios e trovões, impedindo que os deuses interfiram na batalha.

O comandante Agamenon se desespera e, ouvindo os conselhos do sábio Nestor de Pilos, envia uma caravana até Aquiles para oferecer a este presentes e desculpas formais, praticamente lhe implorando que volte para a batalha.


Mas Aquiles, ainda ofendido, se nega.


De madrugada, Ulisses e Diomedes capturam um espião troiano de nome Dólon e o forçam a revelar informações confidenciais. Em seguia, os dois invadem um acampamento troiano matando a todos (que dormiam no momento).


Quando a batalha recomeça, ao amanhecer, os troianos passam a levar a vantagem, arrombando com uma pedra gigante a entrada da fortaleza aquéia e forçando todos a fugirem de volta para os navios. Entretanto, apiedando-se dos aqueus, Poseidon passa a ajudá-los contra os ataques troianos e a fúria de Zeus.


Hera, na tentativa de ajudar seus protegidos aqueus, convence Hipnos a adormecer Zeus. Mas quando este acorda, acredita que foi Poseidon que lhe adormeceu e impede que o deus dos mares continue auxiliando os aqueus.


Sendo assim, os troianos conseguem obter uma vantagem ainda maior e muitos dos maiores heróis aqueus ficam terrivelmente feridos.


Pátroclo, comovido com a derrota eminente dos aqueus, pede que Aquiles lhe permita liderar um exército de mirmidões para auxiliar os antigos aliados. Aquiles dá sua permissão e inclusive empresta sua armadura para o amigo, mas deixa uma ordem bem clara: Pátroclo deveria apenas expulsar os troianos da frente das naus aquéias, retornando depois imediatamente para a Ftia.

Quando Pátroclo chega, vestindo as armas de Aquiles e liderando os mirmidões, tanto aqueus quanto troianos crêem ser Pátroclo o próprio Aquiles.

Ao expulsar os as tropas de Tróia da frente dos navios aqueus, Pátroclo se empolga e, desobedecendo a Aquiles, persegue os inimigos até a proximidade da cidade.

Nesse momento Heitor percebe que, apesar da armadura, o líder mirmidão não é Aquiles.

Ensandecido pela morte do amigo, Aquiles volta a tomar partido da guerra, se reconciliando com Agamenon e tendo inclusive sua amada Briseis devolvida a ele.

A batalha é sangrenta e os troianos fogem apenas ao ouvir os gritos de Aquiles.

Zeus, sabendo do poder do rei mirmidão, permite que todos os deuses tomem parte do combate para auxiliar o lado com o qual mais se identifiquem.


Aquiles, sozinho, mata milhares de soldados e empurra as tropas inimigas para os portões de Tróia, onde inicia sua perseguição a Heitor. Atena acaba perfidamente convencendo Heitor a enfrentar o rei dos mirmidões.


Antes do duelo, Heitor implora para que Aquiles respeite o cadáver do vencido e que este possa ter um funeral adequado, mas Aquiles responde aos berros que não existe trato possível entre presa e predador e que o corpo de Heitor será adubo para o pasto das vacas, enquanto o de Pátroclo será velado.











O combate inicia, mas termina rapidamente com um golpe de espada de Aquiles, que corta profundamente a garganta de Heitor.


Então Aquiles amarra o corpo de seu oponente vencido em sua biga e o arrasta até o acampamento aqueu.


De madrugada o rei Príamo, pai de Heitor e de Paris, vai escondido até a tenda de Aquiles onde implora a este que devolva o corpo de seu filho. Apesar do ódio, Aquiles acaba por devolvê-lo ao pai.



A Ilíada é hoje o mais antigo texto da História Ocidental, tendo sua autoria atribuída a Homero e datando de aproximadamente VI a.C. Porém, sua origem provavelmente é bem mais antiga, sendo proveniente das tradições orais gregas e tendo sido apenas compiladas por Homero, numa versão de 15.693 versos em hexâmetro dactílico. Sua versão atual, dividida em 24 cantos, foi possivelmente adotada pelos estudiosos da biblioteca de Alexandria.


O nome Ilíada provém do nome grego para a cidade de Tróia, que era Ilíon.

A obra teve sua primeira tradução para o inglês feita pelo teatrólogo inglês George Champman e reorganizada em versos pelo poeta britânico John Keats no século XVI. O humanista maranhense Odorico Mendes foi a primeira pessoa a traduzir a obra para o português, em 1874.

Esta obra-prima de Homero com certeza soa estranho para quem não está familiarizado com a história da guerra de Tróia, por isso vou fazer um resumo rápido para explicar como começou e como terminou.

Na mitológica tradição grega, havia uma ninfa de beleza ímpar chamada Tétis que era desejada por Zeus e por Poseidon. Entretanto, quando Prometeu profetizou que o filho desta seria mais poderoso que o pai, decidiram conceder sua mão ao rei Peleu de Ftia, que era um homem muito fraco e idoso.

Muitos deuses foram convidados para o casamento, menos a deusa da discórdia Éris. Esta, enraivecida, depositou um pomo dourado com a inscrição “à mais bela” sobre a mesa onde estavam as deusas Atena, Hera e Afrodite.

Como Zeus negou-se a julgar qual delas era a mais bela, a escolha foi dada ao jovem Paris, príncipe de Tróia.

Atena ofereceu a ele vitória na guerra em troca da escolha. Já Hera, ofereceu riquezas e poder. Mas quem ele escolheu foi Afrodite, que ofereceu a ele o amor da mais bela mulher do mundo. Isso despertou o ódio das outras duas deusas sobre ele e Tróia.

Helena, filha de Zeus e Leda, era considerada esta mulher.

Todos os reis aqueus queriam casar-se com ela e seu pai adotivo, Tíndaro, temia escolher um e provocar a ira nos demais, até que Ulisses sugeriu que deixassem que a moça escolhesse e todos os demais jurassem proteger a ela e a seu marido escolhido.

Assim sendo, ela escolheu Menelau, rei de Esparta, que apesar de ser idoso, era sábio, bravo, forte e gentil.

Entretanto, quando Paris a viu o encanto de Afrodite surtiu efeito e Helena se apaixonou por ele. Ambos fugiram juntos para Tróia, fazendo com que Menelau acreditasse que sua esposa tivesse sido seqüestrada.

Esse é o motivo lendário para o início da guerra.

Dez anos depois, seguindo após o final da Ilíada, Aquiles devolve o corpo de Heitor para seu pai príamo e retorna para o combate.

Paris, até esse momento um jovem boêmio que pensava apenas em amor e sexo, chora a dor de seu irmão Heitor e aceita seu espírito guerreiro, assumindo o posto de chefe dos arqueiros troianos.

Na ultima batalha de Tróia, Apolo domina a mente de Paris fazendo este ver o único ponto do corpo de Aquiles que não era invulnerável: o calcanhar, que foi por onde sua mãe segurou ao mergulhar-lhe nas águas do rio Estige, que deram invulnerabilidade.

Com uma flechada certeira, Paris matou Aquiles, vingando assim seu irmão.

Mas nem isso foi o bastante e os troianos perderam a guerra, tendo sua cidade devastada pelos aqueus e incendiada, após receberem um cavalo gigante de madeira que parecia ser um presente aqueu de rendição, mas na verdade continha inúmeros soldados, na manobra militar que ficou conhecida como “Cavalo de Tróia”.

Segundo reza a tradição, foi graças a essa uniam das cidades-estado aquéias para ajuda Menelau de Esparta e recuperar sua esposa Helena que a Grécia foi unida em um império, sendo por isso a Grécia chamada de Helênica.

Por volta de 1863 os historiadores europeus concordaram em considerar a guerra e a cidade de Tróia como mitos, devido a sua inconsistência e impossibilidade.

Contudo, em 1870, quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann descobriu as ruínas da cidade de Tróia num sítio arqueológico na Anatólia, a teoria de que a história é meramente mitológica precisou ser revista.

Por mais que até hoje ainda seja um grande mistério o que realmente aconteceu.

A companhia iRex Technologies lançou em 2005 um e-book device chamado ILiad, cujo nome faz alusão à obra homérica, mas cuja definição é de uma espécie de agenda digital feita especialmente para a leitura de e-books.

Iliad também é o nome de uma operadora telefônica francesa sediada em Paris e fundada por Xaviel Niel em maio de 2004, que vem se especializando desde então no desenvolvimento da tecnologia móvel de internet.

A Ilíada já foi abordada no cinema nos filmes: La Regina di Sparta (Itália), 1931; Ulisses (Itália, 1954); Helen of Troy (EUA, 1956); La Guerra di Troia (Itália, 1961); La Leggenda Di Enea (Itália, 1962); L’Ira di Achille (Itália, 1962); Electra (Grécia, 1962); Las Troyanas (México, 1963); The Trojans (Inglaterra, 1971); Ifigênia (Grécia, 1977); Elektra (Alemanha, 1981) The Odyssey (EUA, 1997); Helen of Troy (EUA, 2003); e Troy (EUA, 2004).

Duas peças de teatro sobre o assunto se destacam das demais, sendo elas “La Guerre de Troie n’Aura Pas Lieu” escrita por Jean Giraugoux e estreada em 1935 no Teatro Athénée de Paris; e a ópera “Les Troyens” escrita por Hector Berlionz entre 1856 e 1858 e exibida pela primeira vez no Théâtre Lyrique de Paris em 4 de Novembro de 1863, dividida em 21 tempos.

A Ilíada, apesar de ser menos conhecia e estudada do que a Odisséia (também de Homero) é uma história muito mais profunda e até mesmo importante cientificamente do que a mesma.

O cinema a retratou de forma muito pobre, sempre se mantendo em dois extremos: ou na violência desnecessária do cinema de ação focada apenas na guerra entre gregos (aqueus) e troianos ou então explorando o romance sempre sugerido por Helena de Tróia e seu triângulo amoroso.

Hoje, considerado pela crítica, o mais fiel filme sobre este evento é uma série de televisão (por incrível que pareça) chamada Helen of Troy, escrita por Ronni Kern, dirigida por John Kent Harrison e trazendo a belíssima Sienna Guillory no papel de Helena. A série foi lançada em 20 de abril de 2003 pelo canal USA Network.

Numa nova versão para o cinema, acredito que Sienna continuaria sendo a Helena perfeita, Sean Bean continaria perfeito no papel de Ulisses (que interpretou no filme Troy, de 2004) e o Branch Warren no papel do titânico Aquiles.

Já em relação à dublagem, o único com quem eu me preocuparia mesmo seria com a voz do Ulisses, visto que seria ele a narrar a história. Então, teria de escolher alguém com uma voz grave e límpida, ao mesmo tempo que passasse firmeza e calma, então optaria pelo Luiz Carlos Persy (que faz a voz do pai do Timmy Turner, no desenho Padrinhos Mágicos”).

Ricardo Latorre

Trilha Sonora




01.

Achilles Leads The Myrmidons

James Horner

02.

The Temple of Poseidon

James Horner

03.

The Night Before

James Horner

04.

Briseis and Achilles

James Horner

05.

The Trojans Attack

James Horner

06.

The Wooden Horse and the Saking of Troy

James Horner

07.

Through the Fires, Achilles...

James Horner

08.

El Caballo de Troya

Mägo de Oz

09.

Troy

Sinéad O’Connor

10.

Troya

Rue du Soleil

11.

Luvstory

Sigur Ros & Mogwai

12.

Tu Vas Me Quitter

Hélène Ségara

13.

Helene

Rock Voisine

14.

Remember Me

Josh Groban

15.

C’Est Écrit

Francis Cabrel

16.

Helena

My Chemical Romance





Tabela de Posição Cronológica

1.280 a.C.

Nasce Moisés

1.279 a.C.

Ramsés II lidera a batalha de Kadesh

1.255 a.C.

Helena foge com Paris e inicia-se a Guerra de Tróia

1.265 a.C.

Ilíada

1.250 a.C.

Liderados por Moisés, os israelitas iniciam o Êxodo do Egito

1.210 a.C.

Os israelitas finalmente chegam à Terra Prometida

1.200 a.C.

Tribos celtas levam para a Europa Ocidental a forja do Ferro


4 comentários:

  1. Ricardo
    Muito bom este espaço que você nos proporciona. A mitologia sempre é fascinante, e nos remete a reflexão.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. De quem são estas imagens? quem é o desenhistas das ilustrações?

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  3. Gostaria de saber onde encontrar os originais das ilustrações. Obrigado.

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