sábado, 7 de fevereiro de 2009

A Cidade Que Aparecia Uma Vez Por Ano

Sanātana Dharma
(सनातन धर्म)


Há dez bilhões de anos Varuna (वरुण) chegou às margens do rio Jhelum para procurar Aquele cujo nome era proibido de ser mencionado (לוציפר). Para garantir que as terras daquele vale seriam protegidas, Ele decidiu fazer nascer o poderoso Brahma (ब्रह्मा), cuja função máxima seria criar a vida que se desenvolveria no local. Entretanto, Varuna sabia que o Traídor atentaria contra a criação e, portanto, criou Vishnu (विष्णु) e Shiva (शिव). Assim, enquanto a função de Brahma seria criar, a de Vishnu seria manter e a de Shiva destruir, caso a Pureza da Criação parecesse maculada.



Brahma então começou a dar vida à região do Vale do Indo, ordenando o crescimento de grandes florestas tropicais e o surgimento das monções, que serviriam para reabastecer os grandes rios como o Indo, o Ganges e o Brahmaputra. Nos vales e encostas das montanhas do Himalaia, Brahma soprou um ar temperado e subtropical. Das terras férteis banhadas pelo Mar de Thar, Ele ordenou que brotassem árvores e plantas de folhas caducas e na região peninsular, Decan, as chuvas frequentes favoreceram o crescimento de bambu, sândalo e teca. Assim começava, há quatro bilhões de anos atrás, a Satya Yuga (सत्य युग) - o primeiro ciclo de Brahma.



Os três deuses do trimurti (त्रिमूर्ति) seguiram seus destinos, com Brahma criando enquanto estivesse disposto e Vishnu mantendo o equilíbrio da Criação. Mas ficara decidido que, quando estivesse cansado Brahma dormiria e, com certeza nesse momento, o Traídor apareceria, então Shiva deveria destruir toda a Criação, para que Brahma recriasse tudo de novo e, com pureza, quando acordasse.

Varuna havia Lhes avisado que quatro vezes Brahma hibernaria e quatro vezes Shiva destruíria a Criação, antes da batalha derradeira.

Com suas rotinas restabelecidas, os deuses decidiram então que deveriam constituir família. O primeiro a casar-se foi Brahma, que se apaixonou por uma criação Dele mesmo, Sarasvati (सरस्वती). Depois foi Vishnu, que contraiu matrimônio com a deva Lakshmi (लक्ष्मी). O ultimo a casar-se foi Shiva, que primeiro escolhera Sati (सती) e depois que ela morreu casou-se com o avatar de sua reencarnação, Parvati (पार्वती).



Assim sendo, Brahma teve sete filhos: Abhimani (चिंतन), Sanat (रोशनी), Sanatana (सनातन), Sanaka (बेटा), Sanandana (विकास), Daksha (दक्ष प्रजापति) e Suayambhuva (प्रथम). Vishnu teve dois filhos: Kamadeva (कामदेव) e Ayyappa (అయ్యప్ప). E Shiva, por sua vez, teve quatro herdeiros: Ganesha (गणेश), Skanda (ಸುಬ್ರಹ್ಮಣ್ಯ), Rudra (रुद्रः) e Shashti (चौदह).






Entretanto, há pouco mais de 450 milhões de anos passados, o Traídor se aproveitou da sonolência de Brahma e adentrou Seu reino.

Como seu objetivo era desestabilizar o panteão e assim forçar Varuna a retornar, o Traídor começou a jogar os filhos e os netos dos deuses do trimurti uns contra os outros.

Assim sendo, primeiro convencera o senhor do fogo, Abhimani, de que seus próprios filhos antentavam contra ele. Depois procurou o deus da paixão Kamadeva e sua esposa Rati (कामुक), a senhora da sexualidade, e os convenceu que a prática do sexo era mais importante do que a procriação. E assim continuou seu joguete: fazendo Sanat acreditar que era mais puro que os outros deuses, conduzindo Sanatana a questionar os próprios dogmas de Brahma, persuadindo Ganesha a adotar o celibato e levando Daksha a punir injustamente seu próprio genro, Soma (चंद्र).


Mas o pior pecado do Traídor foi justamente contra a filha de Daksha, Aditi (अदिति) e seu esposo Kasyapa (कश्यप). Ele fez os filhos do casal, conhecidos como os sete adityas acreditarem que eram maiores do que Brahma ou mesmo Varuna.


Em vista disto e da primeira hibernação de Brahma, Vishnu retinou-se do mundo material e Shiva devastou completamente o planeta, a cerca de 300 milhões de anos atrás, dando início ao segundo ciclo de Brahma, o Treta Yuga (त्रेता युग) que, segundo o próprio Varuna, contaria com a queda moral de muitos deuses.

Ao recriar o novo Vale do Indo, Brahma e vários deuses estrangeiros concluiram que o mais sábio seria tornar dominante uma forma de vida menos sensível do que as plantas, como os animais ditos de sangue frio.

Enquanto os répteis gigantescos conhecidos como dinossauros dominavam a vida na Terra, aqueles deuses que haviam sido maculados pelo toque pérfido do Traídor começavam a agir como Ele queria que agissem (com excessão de Abhimani, que conseguiu se livrar da Sua influência malévola com a ajuda de seus filhos).

Sanat, Sanatana, Sanaka e Sanandana começaram a sentir-se superiores aos demais deuses por serem filhos da mente de Brahma e não de Seu corpo. Assim sendo, resolveram que nunca se casariam e jamais procriariam. Brahma, indignado, repreendeu Seus filhos, que acabaram sendo convencidos pelo Traídor de que o Pai deles tinha medo que O substituissem. Dessa forma, os quatro passaram a viver mais etereamente e se isolaram, sendo auto-proclamados como os Quatro Kumaras.

Ao contrário deles, Kamadeva passava a idolatrar cada vez mais a carne, se deixando enradar maliciosamente pelos sentimentos intensos e pouco construtivos, como a volúpia e a cobiça da carne.

Mais uma vez Brahma hibernava, mas agora bem mais cedo do que o previsto, e os deuses começaram a se desentender com uma freqüencia cada vez maior. Mesmo os animais, lagartos gigantescos e outrora pacíficos, começavam a viver em guerra. Até mesmo os herbívoros lutavam, não por alimento, mas por terrítório. E Shiva viu-se obrigado a interferir mais uma vez. A quase de 95 milhões de anos atrás, quase toda a vida do planeta é extinta, dando início ao terceiro ciclo de Brahma - o Dvapara Yuga (द्वापर युग).

Desta vez, os deuses - de todos os cantos - decidiram que uma forma de vida com mais capacidade de discernimento deveria tornar-se a dominante e os mamíferos foram os escolhidos. Assim, a mais de 23 milhões de anos atrás, os tigres de bengala, elefantes e rinoscerontes, começaram a habitar o Vale do Indo. Sem citar as já existentes cobras, aves e peixes.

Corrompido pelo Traídor, Indra (इन्द्र) - o bisneto de Brahma - se autoentitula rei dos deuses. Injuriado, Shiva sugere que o trimurti se reuna e leve uma punição até o jovem, mas o próprio todo-poderoso Varuna se manifesta contra, pois segundo Ele, o poder da influência do Traídor já havia tomando conta de todo o panteão e seria perigoso demais permitir que Brahma, Vishnu e Shiva também fossem corrompidos. Assim, era justo que aqueles deuses de vontade fraca fossem punidos e, os de forte fé, premiados.

Surya (सूर्य), outro dos bisnetos de Brahma, casa-se com a deva Saranyu (भोर). Entretanto, o Traídor adentra a morada do casal e começa a fazer com que Saranyu sinta-se, cada dia mais, atraída por Suayambhuva, o filho caçula do próprio Brahma. Pouco tempo se passa até que Saranyu engravide, não de seu marido Surya, mas de Suayambhuva.

Do parto nasce um casal de gêmeos: a jovem Yami (स्त्री) e o pequeno Yama (यम).



Apesar da alegria do nascimento, Brahma surge e lança um castigo aos amantes traidores: seus filhos cresceriam belos e saudáveis, mas nunca seriam deuses, pois eles seriam meramente mortais - os primeiros mortais do Vale do Indo.


O Traídor retorna e, para tentar impedí-lo, Vishnu e Shiva contam com a ajuda de deuses estrangeiros que ordenam que o planeta inteiro seja congelado, em dados períodos... mas isso não detém o senhor das mentiras. Ele corrompe cada vez mais o panteão até que, a 100 mil anos atrás, nasce o primeiro humano legítimo do Indo, fruto da relação incestuosa de Yami e Yama. E seu nome é Manu (मनु).

Os humanos procriam rapidamente e logo começam a se agrupar em pequenas sociedades. Vivem pacificamente com os deuses menores que ainda habitam a Terra e não se importam em servi-los, por saberem a sua posição. Mas isso dura pouco.

Pacientemente o Traidor convence cada homem e mulher da espécie humana de que os deuses os escravisam, ao passo em que Ele mesmo insufla os deuses, dizendo que os humanos querem tomar seus lugares divinos e que tal afronta deveria ser castigada da pior forma possível e imaginável.

O clima de animosidade entre humanos e deuses torna-se intolerável. O trimurti já não aparecia a milhões de anos por ordem direta de Varuna e os próprios deuses começavam a duvidar da veracidade da existência de Brahma, Vishnu e Shiva.

Em 34 mil, antes de Cristo, grupos humanos grandes já dominavam perfeitamente a linguagem falada e se instalavam em Mehrgarh, que outrora fora uma terra santa dedicada a Kali (que era uma das formas de Parvati). Lá, começavam a desenvolver a agricultura com a ajuda de alguns deuses que, tendo brigado com outros deuses, se refugiavam em clãs humanos.

A situação já estava insustentável entre todos os povos da Terra quando Brahma anunciou sua terceira hibernação. Ao ver que Shiva já se preparava para destruir mais uma vez o vale, Vishnu decidiu que deveria intervir.

Assumindo a forma de um peixe chamado Matsya (मत्‍स्‍य), Vishnu mergulhou nas águas profundas do Indo e enfrentou o asura Hayagriva (हयग्रीव), cria do Traídor. Após vencer seu oponente, Vishnu - ainda no corpo do peixe Matsya - foi a superfície onde encontrou o sábio Satyavrata (सत्यवती) e ordenou-lhe que preparasse um barco e juntasse todos os animais do local, bem como os homens de natureza pura, pois Shiva iria inundar todo o planeta por 40 dias e 40 noites.


O ano era 10.000 a.C e, com esta enchente, iniciava-se o quarto e ultimo ciclo de Brahma, o Kali Yuga (कलियुग).

Nesse novo ciclo, onde a maioria dos deuses já não vivia mais entre os humanos e muitos deles foram relegados à condição de mito, o Traídor sobreviveu. Aproveitando-se da situação, ele busca Sanatana - o filho de Brahma que questionava os caminhos do pai - e o induz a criar uma religião, mas que reescrevesse aquilo que ele julgasse correto. Assim, Sanatana se passa por humano e ensina os outros humanos a adorarem Brahma, mas do Seu modo. Surge assim o Hinduismo.

Segundo a nova visão, o universo não teria sido criado por Varuna, mas sim por Brahma. Varuna seria relegado a um mero aditya, bisneto de Brahma. E toda a cosmologia e explicação passara a ser metafórica, para elitizar o conhecimento.

No ano de 8.400 a.C nasce um jovem chamado Rishabha (ऋषभदेव) e o Traídor, vendo no jovem uma aura pura, convence Sanaka (um dos filhos de Brahma) a incentivar o jovem à iluminação. Isso acontece e em pouco tempo o jovem cresce, assume o título de tirthankar e funda uma nova religião: o Jainismo.

Para o Traidor, quanto mais religiões existessem, mais guerras aconteceriam por diferenças de opiniões e crenças.

Deuses que viviam entre os mortais começavam a escolher religiões e incentivar a criação de novas, para que fossem cada vez mais adorados e tivessem seu ego divino insulflado. O próprio Vishnu reencarnou em diversos avatares para impedir que grande desgraça se abatece sobre os moradores do Vale do Indo devido à soberba de seus deuses.

No ano de 3.641 a.C o sacerdote Ravana (रावण) conseguiu de Brahma, após um longo e pesado sacrifício, o dom da imortalidade. Com este dom ele auxiliou o Traidor, levando terror e violência a toda a região. Assim, Vishnu se viu obrigado a voltar com um novo avatar, desta vez o jovem príncipe Rama (राम).


Essa história é contada na epopéia indiana Ramayana, de autoria do sábio Valmiki (वाल्मीकि) e narra a luta de Rama para combater o demônio que Ravana se tornara e depois o castigo do jovem príncipe por ter punido injustamente sua esposa Sita (सीता). Em sua jornada, Rama conta com a ajuda do rei-urubu Jatayu (जटायू), do rei Sugriva (सुग्रीव), de Sampati (सम्पाति) e, principalmente, do deus-macaco Hanuman (हनुमत्).


No ano de 3.300 a.C os habitantes do Indo, finalmente livres da influência destruidora de Ravana, começaram a construir a cidade que seria a maior do mundo em seu tempo e que deu origem à Civilização Indiana - a cidade de Harappa.

Apenas dois anos após a construção da cidade, nasce aquele que seria uma encarnação viva do Criador (mas que é tido apenas como um avatar de Vishnu) e seu nome era Krishna (कृष्ण). Vale ressaltar que ele é considerado pela Teosofia o sexto avatar de Deus na terra, sendo precedido por Juno (Ήρα), Anfião (Ἀμφίων), Antúlio (عينطورة), Abel (قابيل وهابيل) e Numu (Пайут). Pela tradição, os sucessores de Krishna foram Moiséis (מֹשֶׁה), Buda (बुध) e Jesus Cristo (מָשִׁיחַ).


O rei de Mathura, Vasudeva (वसुदेव), fora deposto e aprosionado por Kamsa (कंस). Segundo dizem, Kamsa fora um iluminado, mas o Traidor o desviou do caminho da luz o convencendo a aprisionar o próprio pai, tomando-lhe o reino.

Quando Krishna retorna de seu exílio, acaba convencendo Kamsa a soltar seu pai e assim o leva até o caminho da iluminação, do qual havia se perdido. Com Vasudeva novamente reinando, Krishna dedica-se a ajudar o feridos na Guerra de Kurukshetra e, quando esta termina, dedica seus dias a auxiliar pessoas confusas a encontrar a iluminação.

Graças a vinda de Krishna ao mundo dos Humanos, o panteão indiano decide que é hora de expulsar os ultimos deuses que habitavam na Terra e assim Vishnu declara guerra ao seu clã, os Kshatriyas (क्षत्रिय), e os destrói.

No ano de 2.450 a.C, os primeiros arianos vindos da Mesopotâmia se instalam no Vale do Indo e, em 710 a.C, as terras indianas são divididas em dezesseis reinos, os Mahajanapadas.

Mais tarde, em 565 a.C, nasce o legendário Siddharta Gautama (सिद्धार्थ गौतम).

Siddharta fora um príncipe do reino de Sakya, próximo ao Nepal. Aos 16 anos ele casou-se com Yashodhara (யசோதரை), com quem teve um filho de nome Rahula (রাহুল). Entretanto, aos 29 anos, Siddharta saiu para um passeio fora do castelo e conheceu a pobreza e a miséria. Tocado com isso, abandonou a vida palaciana e fora viver entre os pobres.

Aos poucos ele foi se tornando um asceta muito conhecido até que, aos 35 anos, teve uma fortíssima experiência religiosa que o levou a iluminação. E ele passou a ser conhecido como Buda (बुध).

Simultâneo a invasão grega na índia, um jovem chamado Shamuni (योद्धा) - que era um dedicado praticante da luta indiana conhecida como Chakram (चक्रम)- vai até uma das pregações de Buda e o esbofeteia, para a fúria de seus discípulos - principalmente Ananda (พระอานนท์).


Entretanto, Buda não se enfurece... ao contrário, ele trata Shamuni com respeito e preocupação - tornando-o seu discípulo.

Neste interim, no ano de 510 a.C, o patriarca chinês Manjushri (文殊) ordena que as águas do rio Catmandu sejam completamente drenadas para que ele possa descobrir se existe verdade na lenda sobre uma flor de lotos mística que abtava a profundeza das águas. Apesar de sua ação ter dado origem ao desértico vale do Nepal, a lótus jamais fora encontrada por ele.

Muitas guerras acontecem na Índia - tanto conta invasores estrangeiros, quanto entre as próprias províncias. Quando Buda morre, em 483 a.C, Ananda é procurado por Hanuman - o deus-macaco - que lhe diz que os muitos dos discípulos de Buda era puros e iluminados demais para ficar sob as ordens da corte indiana e à mercê de tantos invasores. Então, com a ajuda de Varuna, Hanuman os leva para o topo do monte Kala Patthar, no Vale do Catmandu... onde escondia-se Agartha (აგარტი) - a lótus mística que Manjushri não encontrara.

Dessa forma, em 420 a.C, é fundada a cidade de Shambhala (रहस्यवादी शहर) e a Órdem da Lótus Branca.

Quando Ananda morreu e Shamuny assumiu o título de swami (स्वामी), muitos invasores chineses e indianos começaram a tentar encontrar Shambhala para destruí-la, possuidos por demônios à mando do Traídor.

Graças a isso e à promessa de Hanuman, de que seria em Shambhala que o legendário Kalki (कल्कि) encontraria a iluminação e se descobriria como o décimo avatar de Vishnu, que Shamuny decidiu ensinar seus monges o caminho das artes marciais e do desenvolvimento do soma, usado em combate conjuntamente com a shakti.

As milhares de lendas que surgiam sobre um templo idílico erguido sob uma montanha em forma de lótus e que podia ser visto por qualquer um apenas uma vez por ano, somado às constantes guerras internas e aos saques de invasores gregos, aumentavam ainda mais a busca de pessoas desesperadas pelo templo de Shambhala.

Quando o cruel sistema de castas é instituído na Índia em 280 a.C - dividindo a sociedade entre brâmanes (religiosos, nobres e políticos), xatrias (guerreiros, militares, policiais e lutadores), vaixas (camponeses, comerciantes, artesãos e artistas), sudras (escravos, operários e empregados em geral) e haridchans (garis, coveiros, etc) - muitos habitantes da cidade fogem para o Nepal em busca de abrigo em Shambhala... o que leva a índia a construir fortes militares em Yarlung, no Tibete.

No ano 48 da Era Cristã, Maria (מרים), a mãe de Jesus (عيسى) - o novo avatar do Criador - subiu aos Céus sem morrer, tendo por única testemunha o apóstolo Judas Tomé Dídimo (توما). Tomé imediatamente foi contar aos outros apóstolos, que assim como ele mesmo duvidara quando Jesus ressussitou, duvidaram de seus relatos.


Arrependido por não ter acreditado e agora ser o alvo das dúvidas, Tomé seguiu apara a Síria para espalhar as palavras passadas a ele por seu mestre Jesus. Ao passar pela Ásia Menor, acabara encontrando o raghuvamsa (casta de reis-magos guerreiros) árabe de nome Baltazar (रक्षक)- que presenteara o menino Jesus com incenso e que era herdeiro do legado de Shamuny,sendo assim um swami .

Baltazar lhe contou sobre a casta dos raghuvamsa, sobre a Ramayana de Valmiki e sobre o templo da cidade de Shambhala.

Quatro anos antes de ser assassinado por um fanático hindu (ou seja, no ano 68), Tomé esteve em Shabhala onde abençoou a casta sagrada dos raghuvamsa e, ao ouvir a profecia de que o Criador voltaria uma décima vez, no corpo de uma mulher, encarregou os monges do templo de protegerem a reencarnação do Criador quando Esta viesse.

É válido lembrar que Tomé cita, tanto o templo de Shambhala, quando seus monges guerreiros e o swami Baltazar em seus Atos de Tomé, minunciosamente descritor no apócrifo "Livro de Tomé Adversário" que encontra-se hoje na biblioteca de Nag Hammadi.

Com as contantes invasões dos hunos ao território indiano e dos chineses ao Tibete que iniciam-se apartir do ano de 430, Shambhala é cada vez mais procurada - tanto por aqueles desesperançosos que procuram refúgio, quanto pelos gananciosos que procuram riqueza ou pelos belicosos que querem dominá-la e usar seus segredos para conquistar territórios.

Muito tempo depois, no ano de 1.498, o navegador português Vasco da Gama descobre uma rota marítima para a Índia - os famosos caminhos da Índia - e nos anos seguintes o país é tomado pelos horrores da guerra com muçulmanos, mongóis e agora também europeus. Até que, em 1.600, a Inglaterra e a Índia começam a negociar especiarias e pouco mais de 12 anos depois, o reino inglês começa a transformar a Índia em uma de suas colônias de exploração.

É importante mencionar que em 1.627 o erudito húngaro Alexander Csoma de Köros chega a Shambhala, tendo sido o primeiro ocidental no templo.


Contudo, a maior e mais desenfreada busca da História pelo templo mitológico de Shambhala ocorreu em 1.773, quando o governo inglês passou a explorar radicalmente o território (e o povo indiano) e mais de 40 milhões de pessoas morreram de fome. Caravanas com mais de 300 pessoas morriam inteiras aos pés do Nepal, sem jamais conseguir alcançar o templo sagrado. Esta exploração, diga-se de passagem, ocorre até 1.857, quando os soldados indianos se revoltam e inicia-se a Revolta dos Sipais.

Quase cinqüenta anos depois da revolta, o príncipe Dakkar (कोई नहीं) - filho do raja de Bundelkund - retorna à terra firme após sua longa jornada submarina. Graças à sua tecnologia inacreditavelmente superior à de sua época, Dakkar conseguiu encontrar Shambhala, onde logo fora nomeado o novo swami. Vale ressaltar que Dakkar possivelmente foi a figura que inspirou Júlio Verne a criar o Capitão Nemo, comandante da do submarino Náutilus - a espada do mar - e protagonista dos livros "Vinte Mil Léguas Submarinas" de 1870 e posteriormente "A Misteriosa Ilha", de 1874.

Outro marco importante ocorreu em 2 de Outubro de 1.869, quando nasceu Mahatma Gandhi (मोहनदास करमचन्‍द गान्‍धी).


Em 1.912 o barão Rudolf von Sebottendorf fora ferido durante a primeira guerra dos Balcãs e, afastado do combate, pode se dedicar aos estudos esotéricos que o levaram a procurar Shambhala durante quase um ano. Apesar de não tê-la encontrado, conheceu um grupo de drusos fanático que o convenceu de que podiam se comunicar com o povo da cidade perdida. Também o persuadiram a acreditar que os heperbóreos (arianos) eram os verdadeiros senhores do mundo e detinham poderes enormes. Assim sendo, ao voltar para a Alemanha - sua terra natal - um ano depois, Sebottendorf decidiu fundar a Sociedade de Thule, da qual participava um jovem de nome Rudolf Heß, que viria a se tornar um dos homens de confiança de Adolf Hitler.

No ano de 1.917 o jovem "jornalista" inglês James Hilton, com apenas 17 anos, foi mandado para a Índia como correspondente especial. Reza a lenda que ele se perdeu numa descida montanhosa de Kala Patthar, onde foi encontrado às portas da morte por monges de Shambhala. Ele mesmo chegou a admitir que passou dois meses em seu templo sob os cuidados deles.

Oito anos depois e já de volta a Londres, James começou a escrever o livro que seria seu maior Best Seller: Horizonte Perdido (Lost Horizon), conseguindo publicá-lo apenas em 1.933. O livro fala de um soldado britânico chamado Robert Conway que acaba sofrendo um acidente de avião e, desta forma, encontrando o idílico templo de Shangri-la. Porém, devido a suas fraquezas humanas, acaba indo embora do templo e sendo pego por uma avalanche. Ao acordar, em Xangai, Conway lembra-se de Shangri-la e só então percebe o quanto foi feliz no tempo que passou lá. Sendo assim ele passa, até o ultimo dos seus dias, procurando novamente o templo. Shangri-la, óbviamente, é uma referência a Shambhala.

De volta a Sociedade de Thule, durante a Segunda Guerra Mundial Hitler destacou um pelotão de homens só para encontrar Shambhala e tomar seu poder pra si, infrutíferamente. O máximo que conseguiram foi contatos com os Adoradores de Malchut, que eram pessoas espulsas de Shambhala por comportamente indigno.

Em 1.959 a República Popular da China invadiu o Tibete forçando assim seu governante, Tenzin Gyatso (मास्टर महासागर) - o décimo quarto Dalai Lama - a fugir para Dharamsala. Com a ajuda de um destacamento de raghuvamsa, Dalai Lama e sua família deixaram o Tibete disfarçados como soldados em direção à Índia, onde viveu em exílio até 1.967. Vinte anos depois, portanto em 1.987, ele juntou-se a um agrupamento de cientistas com a finalidade de trazer o conhecimento místico à luz da explicação científica, mas apesar de sua proximidade com as pessoas e seu compromisso com a verdade, sempre se negara a falar da cidade mística.

E assim a lenda de Shambhala, chegou até os tempos modernos.

Trilha Sonora:


01.

Heart Full of Soul

Yeardbirds

02.

Raga Jhinjhoti

Ravi Shankar

03.

Sitar Jam

Portishead

04.

Flute

Vijay Raghav Rao

05.

Mukta

Frisson

06.

The Hascisch Party

Klaus Doldinger

07.

Morning Love

Rampal

08.

OK

Buddha Bar

09.

Tabla Tarang

Zakir Hussain

10.

Badmarsh Shri

Ravin

11.

Sitars and Things

Newton Faulkner

12.

Kaliyon Ka Chaman

Umi 10

13.

Disco Rojo

Punjabi MC

14.

Shomyo

Buddhist Monks

15.

A Call To The Spirits of Tibet

John Willliams

16.

Princesa Tibetana

Trimbiriche


Vozes:

Baltazar: Mauro Ramos (que dublou o Borges, da TV Colosso);
Dakkar: Miguel Rosernberg (que dublou o Vincent, de Os Sem Floresta);
Hanuman: Garcia Júnior (que dublava o He-man);
Mahatma Gandhi: Isaac Schneider (que dublou o Professor Xavier, em X-men - O Filme)
Tenzin Gyatso: Carlos Silveira (que dubla o tio Oswidge, em Dave - O Bárbaro);
Tomé Dídimo: Carlos Seidl (que dublava o seu Madruga, em Chaves);
Traídor: Mauricio Bergher (que dublava o vampiro Angel, no seriado homônimo);
Varuna: Márcio Simões (que dublou o gênio, em Alladin);


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Mais Conhecida das Obras Clássicas

Odisséia

(Οδύσσεια)


Assim que findara a guerra de Tróia, graças ao engenhoso plano de Ulisses em presentear os troianos com um colossal cavalo de madeira recheado com milhares de soldados aqueus prontos para atacar, todos os soldados gregos começaram a voltar para suas casas, afinal a guerra se arrastara por dez longos anos.


Ulisses não fora a exceção e logo preparara suas naus para voltar a Ítaca, sua terra natal, e aos braços de sua amada Penélope e seu filho Telêmaco.


Saindo de Tróia (perto da cordilheira dos Dardanelos, na Turquia), sua esquadra desceu pelo Mar Negro e, ao passar pelo estreito do Bósfaro em direção ao Mar de Mármara, acabara chegando à região da Trácia (hoje, sul da Bulgária).


Lá, ao sopé do Monte Ismara, os homens de Ulisses encontraram a tribo dos Cicones, que sob a liderança de Eufemos auxiliaram os troianos durante a guerra.


Sem pensar duas vezes, a tripulação de Ulisses saqueou a aldeia, matando a maioria dos homens, estuprando as mulheres, degolando os bois e destruindo a cidade. Contrariando as ordens de Ulisses, os homens se mantiveram por várias semanas lá, até que os reforços dos cicones chegaram e a tripulação aquéia fora obrigada a fugir.


Contam que em cada embarcação pelo menos seis aqueus morreram.


Durante sua fuga, uma tempestade marítima violentíssima acabou desviando a esquadra de Ulisses por nove dias de seu caminho.


Quando a fúria dos céus se acalmou, eles estavam no Norte da África, provavelmente próximo da Líbia, perdidos no Mar Mediterrâneo. Lá avistaram uma ilha aparentemente tranqüila habitada por um povo que parecia ser amistoso.


Ulisses ordenou que um arauto e dois exploradores fossem a essa ilha fazer o primeiro contato com seus habitantes, a fim de conseguir reabastecer suas provisões e até negociar um local seguro para pernoitarem.


Os enviados de Ulisses perceberam que todas as pessoas da ilha eram muito tranqüilas, sonolentas e pacíficas, parecendo inclusive esquecidas e pouco inteligentes. Também repararam que ele se alimentavam exclusivamente de frutos e folhas de lótus, o que lhes valeu o apelido de lotófagos.


Em sinal de amizade os lotófagos ofereceram alguns lótus para os três homens de Ulisses comerem e estes os aceitaram.

Após comerem a flor, sentiram-se sonolentos e calmos em demasia, quase dopados. A única emoção que tinham era a vontade compulsiva de comer cada vez mais daquela flor que para eles era desconhecida.


Preocupado com seus homens, Ulisses ordenou que os três fossem trazidos de volta ao barco, mesmo contra a vontade, e amarrados no mastro para que não voltassem.


Depois de passarem mais alguns dias navegando sem rumo, a esquadra aquéia chegou à ilha de Trinácria (próximo ao vulcão Etna na Sicília, Itália) onde uma tribo de ciclopes trogloditas habitavam.


Sem saber, os aqueus entram em uma caverna em busca de comida e bebida para abastecer seus barcos, mas esta é o lar de Polifemo, o ciclope favorito de Poseidon.


Pasmos e desesperados com a presença do gigante de um único olho, os companheiros de Ulisses acabam deixando que o monstro os veja. Este, por sua vez, bloqueia a entrada da caverna com uma pedra imensa e devora dois aqueus.


Com uma esperteza ímpar, Ulisses se oferece como reles serviçal de Polifemo e começa a servir-lhe vinho. Ao ser indagado pelo ciclope qual seria o seu nome, Ulisses responde: “Eu me chamo Ninguém”. Grato pela servidão do aqueu, Polifemo diz que Ulisses será o ultimo a ser devorado.


Quando o vinho começa a fazer efeito misturado aos lótus que Ulisses colhera no reino dos lotófagos e Polifemo adormece, o herói aqueu não hesita e enfinca uma lança no único olho do gigante.


Ao ouvir os gritos de dor de Polifemo, os outros ciclopes vão até sua caverna. Quando retiram a pedra da porta para entrarem, os aqueus fogem. E quando perguntam a Polifemo quem ferira seu olho, ele só pode responder “Ninguém”.


Entretanto, Poseidon sabia quem fora. E sua ira passa a perseguir Ulisses.


A cólera das águas, manipuladas pela vontade de Poseidon, acabaram mais uma vez desviando a esquadra de Ulisses de seu caminho, fazendo com que ele fosse parar próximo a litoral da Tunísia, a Ilha de Aeolia, onde viva Éolo, deus dos ventos.


Ulisses fora pessoalmente conversar com o senhor das tormentas que, vendo nobreza no viajante aqueu, presenteou-lhe com um saco contendo todos os ventos fortes e tempestades marinhas que poderiam vir a lhe atrasar a viagem.


Quando já estava de volta ao mar, os companheiros de Ulisses aproveitaram-se que este havia adormecido e abriram o saco, liberandos todas as tempestades.


Dessa forma, a esquadra teve que voltar a Ilha de Aeolia para que Ulisses, mais uma vez, pedisse um saco de ventos a Éolo. Mas dessa vez o deus da ventania negou-se, pois havia percebido o ódio de Poseidon por Ulisses, deixando-os a própria sorte.


Sete dias se passaram em alto-mar quando os viajantes chegaram à cidade de Lamos, em Teléfilo (provavelmente onde hoje é a província grega de Mesapo): era a terra dos gigantes Lestrígones.


Ulisses ordenou que três de seus tripulantes fossem à ilha.


Estes, depois de adentrar a morada do gigante Antífates, rei dos lestrígones, foram encurralados por sua esposa até que o próprio rei agarrou um dos tripulantes aqueus e o devorou.


Os outros dois fugiram para os barcos, enquanto milhares de gigantes arremessavam pedras contra as naus afim de “pescar” os marinheiros aqueus.


Ulisses conseguiu fugir, levando consigo poucos homens e apenas uma embarcação, deixando para trás a triste lembrança de seus companheiros de viagem que encontraram seu cruel destino como refeição para os gigantes lestrígones.


Três anos já haviam se passado desde que começara sua viagem de volta para casa.


A próxima parada dos navegantes foi a Ilha de Éa (onde hoje está o Monte Circeu, na Itália). Lá morava a terrível feiticeira Circe.


Sem saber disso, os viajantes permaneceram na costa da Ilha por dois dias e duas noites até que, no terceiro dia, Ulisses resolveu explorar a ilha. Desse modo ele encontrou a clareira em frente de onde ficava o solar de Circe.


Após voltar para o acampamento levando o cervo abatido, Ulisses ordenou que 22 de seus homens, liderados por Euríloco, fossem até a casa da feiticeira.


Ela, sempre rodeada por lobos e leões, os recebeu bem... tão bem que Euríloco logo desconfiou. Aos viajantes ela ofereceu uma bebida que Euríloco se negou a tomar e que transformou seus companheiros em porcos. Desesperado, o marinheiro voltou correndo para o barco. Ulisses decide, então, resgatar seus amigos.


No caminho o herói é abordado pelo deus mensageiro, Hermes, que lhe avisa que Circe tentará envenena-lo e lhe dá uma erva que o torna imune às poções dela.


Ulisses come a comida envenenada de Circe e logo depois avança contra ela, como se fosse matá-la. Ela lhe pergunta sobre sua origem e convida-o a deitar-se com ela. Ulisses diz aceitar, mas só depois que ela trouxer seus companheiros enfeitiçados de volta a sua condição humana.


Os aqueus, bem como seu líder, permanecem na Ilha de Éa sendo muito bem tratados por Circe por um ano inteiro, quando, apesar do conforto que a feiticeira lhes proporciona, Ulisses entende que já é hora de voltar a Ítaca.


Circe permite com uma condição: ele deverá procurar o vidente tebano Tirésias, no inferno de Hades, antes de partir de Éa.


Ulisses prepara sua nau e, graças a um vento místico proporcionado por Circe, chega rapidamente a terra da Ciméria (que hoje corresponde a uma área entre o Azerbaijão, a Rússia e a Ucrânia). Lá ficava a entrada para o Inferno de Hades.


No Hades Ulisses encontrar seu melhor amigo já falecido Elpenor, sua mãe Anticleia e os mitológicos Sísifo e Tântalo.


Ao encontrar Tirésias, Ulisses fica sabendo do ódio que Poseidon passou a nutrir por ele e que o deus dos mares fará qualquer coisa para impedi-lo de voltar a Ítaca. Tirésias também diz que ele conseguirá retornar, mas que encontrará grandes problemas ao chegar lá, mas que sua esposa Penélope continua sendo fiel a ele.


Ao voltar para Éa, Ulisses ordena que seus companheiros peçam a Circe a devolução do corpo de Elpenor, para a cremação. Feito o ritual, eles se preparam para partir e Circe, após trazer-lhes provisões, diz que Odisseu deve estar preparado, pois encontrará sirenas, Cila e Caríbdis, sucessivamente.


Diz também para que Ulisses deixe um pouco de lado seus pensamentos belicosos e se preocupe mais em chegar a casa em segurança.


Durante a viagem, no perímetro marinho onde as sirenes costumam ficar, Odisseu ordenou a seus homens que tapassem seus próprios ouvidos com cera e que o acorrentassem no mastro, não o soltando não importa o quanto ele implorasse.


Dessa forma, os marinheiros não ouviam o canto enlouquecedor das sirenas e Ulisses, que os ouvia, não podia se atirar na água atrás delas, por estar acorrentado. Assim ele se tornou o único mortal a ouvir o magnífico canto delas e permanecer vivo.


Ignorando o conselho de Circe, para que abandonasse seus pensamentos guerreiros e se concentrasse em voltar para casa, Ulisses decidiu que enfrentaria Cila.


Contornando pelo litoral siciliano com a finalidade de evitar o Caríbdis, o plano de Ulisses era atacar Cila desprevenida, pelas costas. Mas Poseidon alerta o monstro marinho a tempo, e este estraçalha a ultima nau do rei de Ítaca.


Náufrago, ele acaba sendo levado pelas marés para a Ilha de Ogígia (hoje chamada de Gozo, na República de Malta), onde é salvo pela ninfa Calipso, que se apaixona perdidamente por ele.

Enquanto isso, em Ítaca, Ulisses é oficialmente dado como morto.


As tradições locais diziam que sua esposa, Penélope, deveria casar-se com um outro homem, mas ela se negava, pois ainda amava Ulisses. Assim sendo, ela decidiu começar a confeccionar uma colcha e, segundo ela, logo que a colcha estivesse pronta ela escolheria seu novo marido entre as centenas de pretendentes.


Porém a cada madrugada que passava, Penélope, furtivamente, desfazia o trabalho que fizera durante o dia. Assim a colcha nunca ficaria pronta e ela jamais deveria escolher alguém para substituir seu amado marido.


Os pretendentes dela se amontoavam as centenas, aproveitando a hospitalidade do lar de Ulisses e minando completamente suas posses.


Seu filho, agora com 14 anos, estava injuriado com o desrespeito que esses oportunistas da dita nobreza demonstravam por seu pai e decidiu, assim como seu avô Laerte (pai de Ulisses), se ausentar por algum tempo do reino.


A deusa Atena, tomando forma de um sábio homem apresentado com o nome de Mentor, procura Telêmaco, o filho de Ulisses, e o incentiva a procurar por seu pai.


Mentor providencia um barco de grande confiabilidade e Telêmaco ordena a sua serviçal Euricleia que lhe prepare provisões para uma longa viagem. Assim o jovem e Atena (disfarçada) partem para Pilos (hoje Missênia, na periferia do Peloponeso, Grécia).


Chegando a Pilos, Mentor desaparece e Telêmaco fala diretamente com o rei Nestor, que lhe narra o final da guerra de Tróia e a volta para casa, mas nada sabe lhe dizer sobre o paradeiro de Ulisses.


Ainda assim, o rei empresta cavalos e provisões a Telêmaco para que junto com o Pesístrato (filho de Nestor), possa seguir para Lacedemônia (Esparta).


Chegando a Esparta, Telêmaco e Pesístrato são recebidos pelo rei Menelau e por sua belíssima esposa Helena. Apesar de não saber o paradeiro de Ulisses, Menelau acalma o jovem dizendo que o sábio Proteu havia lhe dito que seu pai ainda estava vivo e perdido em alguma ilha.


Sete anos foi o tempo que Ulisses passou na ilha de Ogígia, sem que sua soberana, Calipso, o permitisse sair. Nostálgico e com saudade de sua esposa, ele era prisioneiro da obsessiva paixão da ninfa.


Vendo a dor dele, Atena intercede ante Zeus, que envia Hermes para ordenar que Calipso solte Ulisses e lhe providencie uma jangada.


Mesmo a contragosto, a ninfa que havia lhe prometido vida eterna lhe presenteia com a liberdade e lhe constrói uma firme jangada, para que ele possa deixar a ilha pelo menos rumo ao continente.


Durante sua viagem, Poseidon ordena que as águas, antes calmas, se tornem coléricas e que destruam a jangada de Ulisses. Ino, apiedado, dá um véu para que o viajante aqueu possa flutuar sobre a água e Atena acalma os ventos. Ainda assim, Ulisses passa dois dias e duas noites à deriva, tendo que se livrar completamente de suas roupas para não afundar.


Ele chega a nado em uma praia da Scheria (atualmente Corfu, na Albânia) onde se deita exausto nas areias e adormece.


No entanto, para auxiliar Ulisses, Atena entra em um sonho de Nausícaa, filha de Alcínoo – rei dos feácios – e pede-lhe que vá levar roupas no local onde o herói náufrago se encontra adormecido.


A jovem princesa auxilia o herói aqueu, que suplica ajuda, dando-lhe roupas, alimento e bebida, além de sugerir-lhe que vá até o castelo de seu pai e peça que lhe auxiliem a voltar para Ítaca. De acordo com Nausícaa, a forma mais segura de cair nas graças da família imperial é atirando-se aos pés da rainha Areta e conclamando ajuda.


Assim Ulisses faz e a rainha lhe oferta hospedagem.


Alcínoo, o rei, leva pela manhã Ulisses à ágora e propõe que o povo feácio ajude na construção da nau que levará o estrangeiro de volta a sua terra.


Depois disso, o rei mostra ao seu hóspede alguns dos recantos da cidade, leva-lo para ver os jogos esportivos e uma festa regada a belas canções e lindas danças. É neste clima que Pontonoo, um aedo, começa a cantar as histórias e lendas da guerra de Tróia, o que faz com que Ulisses discretamente chore.


Depois, ele põe-se a contar a seus anfitriões tudo que lhe aconteceu desde o final da Guerra de Tróia até o momento em que entrou os feácios.


Neste mesmo momento Telêmaco encontrava-se na Ilha de Ogígia, onde Calipso faz a ele a mesma proposta de imortalidade que fez a seu pai, enquanto em Ítaca, os pretendes de sua mãe pretendem embosca-lo e mata-lo quando ele retornar.


Dez anos haviam se passado e, graças à ajuda dos feácios, Ulisses finalmente consegue retornar a Ítaca, mas ao chegar ele é abordado por Atena (disfarçada como Mentor).


Mentor o alerta do perigo que o aguarda em seu lar e transforma-o, deixando com a aparência de um mendigo idoso e doente, ordenando que procure o porqueiro Eumeu (que sempre fora um fiel serviçal de Penélope e Telêmaco) na companhia do cão Argos.


No palácio de Ítaca, uma serviçal descobre o engenhoso plano de Penélope de desfazer as colchas que ela mesma fazia durante o dia e conta para os pretendentes, que passam a exigir uma decisão imediata. Então, a esposa de Ulisses lembra do arco que apenas seu marido podia envergar e lança o desafio: ela casará com aquele que conseguir envergar o arco e atirar uma flecha com ele.


Quando Mentor traz Telêmaco de volta a Ítaca, Ulisses se revela seu pai e ambos, juntos, passam a planejar uma vingança contra os pretendentes de Penélope.


Ulisses, seguindo o plano, se infiltra como mendigo em Ítaca, a fim de testar quais dos seus súditos era realmente fiel a ele. Enquanto isso, Eumeu e Telêmaco retiraram todas as armas da casa real, para que todos estivessem desarmados quando Ulisses atacasse.


À noite Eumeu leva Ulisses (ainda como mendigo) para a cidade e Iro, um outro mendigo, desafia Ulisses para um combate. Ulisses não apenas aceita como também parte o queixo do oponente com um soco.


Dias depois, muitos pretendentes tentam envergar o arco de Ulisses, mas nenhum consegue... até que o próprio Ulisses, na forma de mendigo, enverga-o.


Imediatamente sua forma real volta, enquanto Eumeu e Telêmaco trancam as portas do solar, deixando os pretendentes presos com Ulisses dentro da casa e, portanto, à sua mercê. O massacre tem início.


Com o final do massacre, Penélope é trazida por Euricleia para o saguão principal para ver seu marido, mas ela, apesar de ver a semelhança e perceber que ele envergara o arco de Ulisses, teme que não seja ele.


Então ela tem uma idéia.


Manda mudarem a cama dos dois de local, e substituí-la por uma outra cama. Quando Ulisses vê aquilo, fica injuriado e reclama perguntando quem teria ousado mexer na cama que ele mesmo fizera. Então Penélope tem a certeza de que ele é mesmo Ulisses.


Já de volta a sua posição como rei de Ítaca, Ulisses vai até a fazenda de Laerte reencontrar seu amado pai e almoçar com ele.


Mas no centro, o mensageiro de nome Boato acaba contando que fora Ulisses quem matara os pretendentes e os familiares se armam para vingar seus entes queridos mortos, liderados por Eupites.


Enquanto almoça com seus amigos e familiares, Ulisses é avisado da multidão que se aproxima em busca de vingança. Ele, Telêmaco, Laerte, Dólio e os seis filhos deste, se preparam. Então Atena aparece e ordena que Laerte arremesse sua lança para cima, de forma que quando esta cai, acerta de cheio Eupites, matando-o.


Assim, depois de poucas e duras palavras, Atena impede um novo massacre e dessa forma termina a mítica obra de Homero conhecida como Odisséia.


Provavelmente escrita no final do século VIII a.C., a Odisséia é a mais famosa de todas as obras épicas ocidentais e tem sua autoria atribuída a Homero, que fora o primeiro grande poeta grego que conhecemos e cujo nascimento coincide com o surgimento da escrita em terras gregas.


A mais antiga tradução da Odisséia para o inglês data de 1615 e foi feita em Londres pelo poeta britânico George Chapman. O humanista maranhense Odorico Mendes foi a primeira pessoa a traduzi-la para o português, em meados de 1830.


O termo “odisséia” é uma referência ao nome grego de Ulisses (Odisseu) e tem sido amplamente usado em vários países para designar longas viagens.


Um poema épico do filósofo grego Nikos Kazantzakis de nome Ασκητική (Odisséia) lançado em 1938 retira Ulisses de Ítaca após o assassínio dos pretendentes, levando-o até Esparta (onde seqüestra Helena), Creta, Egito e Pólo Norte.


Uma novela que compõe a rede de crônicas de Isaac Asimov chamada “Robot City” chamava-se Odyssey e fora escrita por Michael P. Kube-McDowell.


Na televisão, a Odisséia já foi retratada numa minissérie da NBC de 1997 chamada “The Odyssey”, que fora escrita e dirigida por Andrei Konchalovsky, sendo produzida por Francis Ford Copolla e tendo sido indicada ao Globo de Ouro e ganhado um Emmy.


Em 2001 estreou na XM Radio uma trilogia sobre a Odisséia produzida pela NPR e vencedora de vários prêmios, sendo dividida em: Tale of the Cyclops (2001), Voyage to the Underworld (2002) e The Voyage Home (2003).


O nome Odisséia, sem ter relação com a história homérica, já foi usado em diversas circunstâncias:


“Adventures in Odyssey” é o nome de um programa de rádio cristão criado por Phill Lollar e Steve Harris em 1987 e veiculado por várias emissoras.


O Odyssey TV, mais conhecido como OTN1, é um canal de televisão canadense lançado em Dezembro de 1998 e focado apenas em programas em linguagem grega, tendo preferência por temas de interesse tipicamente helênico.


Assim como a antiga emissora de televisão australiana de mesmo nome (Odyssey TV) especializada em documentários, fundada em 1997 e fechada em 2004.


Odyssey também fora o nome de um programa de televisão exibido pela CBC que contava a história de um garoto que entra em coma após cair de uma árvore e passa a viver num mundo fantástico dominado por crianças.


Uma série canadense de ficção científica chamada “Odyssey 5” foi exibida de julho a setembro de 2002 no canal Showtime.


Nos Estados Unidos, esse nome é extremamente comum, podendo designar desde um episódio da série “Lessie” até o nome de um condomínio de apartamentos, passando por marcas de moto, tacos de golfe e um navio petroleiro.


Entretanto, a ocorrência mais comum para essa palavra (bem como várias outras do vocabulário mitológico grego) é no campo da tecnologia, podendo ser um programa de computador, jipe de exploração lunar, nave espacial, módulo de comando, revista científica para crianças, sintetizador musical e até um submarino.


Na área da música, tanto a banda Incubus, quanto Orgy, KISS e Symphony X já gravaram algum som com esse nome. Yngwie Malmsteen, Fischerspooner, Hayley Westenra e Vangelis foram mais longe, gravando álbuns que levavam esse nome no título.


Uma banda nova-iorquina de Dance Music lançada em 1977 e que contava com o talento das irmãs Lillian, Carmen & Louise Lopez, também usava esse nome.


Sem mencionar o clássico (e chatérrimo) filme: 2001 – Uma Odisséia No Espaço.



Por mais absurdo que pareça, apesar de a Odisséia ser a mais conhecida de todas as obras da Literatura Clássica, não houve um único filme sequer produzido sobre ela para o cinema. Aliás, se não fosse a minissérie da NBC, simplesmente não haveria nenhum filme que a retratasse.


Sei que pode parecer tosco eu querer trocar de ator (afinal eu havia escolhido o Sean Bean para interpretar Ulisses nas Ilíadas), mas depois de assistir ao seriada em DVD, concluí: Armand Assante seria o Ulisses perfeito, tanto para a Odisséia, quanto para a Ilíada, então mudo aqui e lá também. ^^


Mas o Luiz Carlos Persy continua sendo a minha escolha ideal para dublar o protagonista, acompanhado pelo Fábio Lucindo (que dubla o Peter Parker/ Homem Aranha no novo desenho da FOX “The Spectacular Spiderman”) como a voz do Telêmaco.


Ricardo Latorre


Trilha Sonora

01.

3200 Years Ago

James Horner

02.

Hector’s Death

James Horner

03.

The Temple of Poseidon

James Horner

04.

Bom Voyage

Vangelis

05.

Dreams of Surf

Vangelis

06.

Spanish Harbour

Vangelis

07.

Odyssey

Vangelis

08.

Immortality

Vangelis

09.

Synaesthetic

The Blue Man Group

10.

Ready For Love

India Arie

11.

Eleni

Anna Vissi

12.

Traveling Soldier

Dixie Chicks

13.

Nel Cuore Lei

Andrea Bocelli

14.

Rules Of Travel

Rosanne Cash



Tabela de Posição Cronológica

1.265 a.C.

Inicia a Guerra de Tróia

1.255 a.C.

Termina a Guerra de Tróia

1.253 a.C.

Ulisses chega a Ilha de Éa

1.252 a.C.

Calipso prende Ulisses na Ilha de Ogígia

1.245 a.C.

Ulisses retorna a Ítaca

1.210 a.C.

Os Israelitas chega a Terra Prometida

1.200 a.C.

A forja do ferro chega à Europa Ocidental


Créditos:


Textos e desenhos: Ricardo Latorre